Uprooted, suas maravilhas e problemas

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Uprooted é o queridinho das premiações de fantasia do ano. Foi nomeado ao Hugo como Best Novel (melhor livro), ganhou o Nebula de Best Novel e já está até sendo transformado em filme.

É fácil ver o motivo. A Naomi Novik não é novata e a experiência que ela ganhou desenvolvendo a saga Temeraire se apresenta em todos os elementos do livro. O enredo é emocionante, o conflito é claro e instigante, o cenário é charmoso e induz àquele senso de maravilha que deveria ser padrão em livros de fantasia, só para depois mostrar um horror de congelar o sangue. É um livro realmente bom, cheio de magia e aventura.

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Vencedoras do prêmio Nebula

Nebulacolor-300x258Ontem foram anunciados os vencedores do Nebula, o prêmio de fantasia e ficção científica da Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA, um tipo de sindicato dos autores) e um dos mais conceituados do mundo.

Para minha surpresa e felicidade, as mulheres dominaram a premiação. A melhor parte é que não tem como alguém dizer que foi marmelada, porque a votação do Nebula é realizada apenas pelos membros da SFWA, que precisam ser autores publicados nos EUA, e quem vota recebe um pacote com todas as obras nomeadas, para decidir com cuidado. É um prêmio da indústria, não da fandom, mas não podemos esquecer que escritores de ficção científica e fantasia são, antes de tudo, fãs do gênero. Vamos à lista:

Melhor Livro (Novel): Uprooted, de Naomi Novik

Uprooted-coverTalvez vocês conheçam a Naomi Novik pela série Temeraire, que foi publicada aqui no Brasil. Eu tenho que admitir que não li Temeraire, mas li e gostei de Uprooted. Não acho que tenha sido o melhor livro de 2015 (meu coração segue com The Fifth Season, da N. K. Jemisin), mas entendo o motivo de ter sido o vencedor. Uprooted é uma fantasia otimista, cheia de maravilhas e com um toque de conto de fadas. É ao mesmo tempo similar às grandes fantasias dos anos 80 e diferente o bastante para não ser algum tipo de homenagem. Foi o primeiro livro que aquela sincera impressão de que o gênero está mudando de marcha depois dessa década de fantasia dark. Ficou interessado? Mais tarde eu posto uma resenha completa.

Melhor Novella (história de 17,500 a 40,000 palavras): Binti, de Nnedi Okorafor

Binti-Nnedi-OkoraforA Nnedi Okorafor é uma daquelas autoras que fica aparecendo de novo e de novo no meu radar. Americana de pais nigerianos, ela tende a escrever sobre mulheres e a basear suas histórias na África. Bem diferente da ficção científica mainstream, que costuma ser militarista ou space opera, e é exatamente por isso que ela faz sucesso. Eu comprei Binti, mas ainda não li (a pilha de livros, ela é glacial), então vocês precisam aceitar a palavra da sinopse, que diz:

Binti é uma adolescente africana que é aceita na universidade mais prestigiada da galáxia. Mas aceitar esta oferta significa deixar seu lugar em sua família e viajar entre estranhos que não entendem seus hábitos nem respeitam seus costumes.

As resenhas dizem que é ótimo e a premiação acabou de puxar a novella para o topo da minha lista.

Melhor Novelette (história de 7,500 a 17,500 palavras): “Our Lady of the Open Road,” Sarah Pinsker (Asimov’s 6/15)

Eu já comentei que a melhor parte de novelettes e contos é que eles costumam estar de graça online quando as premiações chegam? A maior parte das revistas coloca seu conteúdo online depois de cerca de um mês, então um leitor dedicado e sem grana nenhuma, mas que leia em inglês, pode ler de graça o ano inteiro só ficando ligado nos sites das revistas de seu interesse. Digo tudo isso porque eu não sabia, mas Our Lady of the Open Road está online. Vai lá ler, mizifio.

Melhor Conto (história com menos de 7,500 palavras): “Hungry Daughters of Starving Mothers,” Alyssa Wong (Nightmare 10/15)

A Alyssa Wong sabe muito bem o que está fazendo e merece todos os prêmios. Eu li esse conto alguns meses atrás e ainda não consegui tirar ele da cabeça. É uma arrepiante história de horror existencial, sobre identidade, abuso e as maneiras sutis que encontramos para nos machucar quando nos odiamos. E sabe qual é a melhor parte? Também está online de graça no site da Nightmare Magazine. Se você sabe inglês e curte ler horror, por favor, leia Hungry Daughters of Starving Mothers.

Andre Norton Award: Updraft, de Fran Wilde

updraftO Andre Norton Award é um prêmio para ficção especulativa para público jovem (young adult, ou YA), dado em homenagem a Andre Norton, autora clássica de mais de 300 livros juvenis de fantasia e ficção científica. Não é um Nebula assim como o Campbell não é um Hugo, ou seja, o público votante é o mesmo, mas é um prêmio separado com regras separadas.

Esse ano o prêmio foi para Updraft, o YA mais comentado de 2015. A premiação dá a entender que a hype procede, mas eu ainda não tive ânimo para encarar um YA, mesmo um que dizem ser maravilhoso. Então vamos para a sinopse:

Kirit Densira não pode esperar para passar em sua avaliação de vôo e começar a voar como uma mercadora ao lado de sua mãe, trabalhando a serviço de sua amada torre natal e explorando os céus. Quando ela inadvertidamente quebra uma lei da Torre, os Singers, o secretivo órgão governamental da cidade, exigem que ela se torne um deles. Em uma tentativa de salvar sua família de problemas maiores, Kirit deve deixar de lado seus sonhos e se atirar num perigoso treinamento na Spire, a mais alta e inóspita das torres, bem no coração da cidade.

Ficou interessado? Tem um trecho de graça no site da Tor.

 

E vocês, o que acharam da lista? Algum livro foi para o topo da pilha de vocês?

Ficou curioso para saber qual era a concorrência? Você pode olhar a lista inteira no site da SFWA.

 

Last Song Before Night e o problema de usar clichês

Last Song Before Night é o romance de estréia de Ilana C. Myer, um daqueles livros que eu comprei porque li um Big Idea em que a autora descrevia a inspiração para a história, e parecia ser algo que eu gostaria muito de ler. Infelizmente, o livro é bem diferente do que ela deu a entender no texto.Last-Song-Before_Night_Ilana-Myers

Não é como se fosse um livro ruim. Não é bem isso. A autora escreve bem e tem controle o bastante das ferramentas de narrativa para que a história tenha um enredo e passo aceitáveis. Mas o problema está justamente nessa palavra: aceitável. Isso é linguagem culta para “meh”, e ninguém quer que o seu épico sobre o significado da arte seja considerado “meh”. Então é claro que alguma mensagem se perdeu no ruído, ou é claro que esse livro não é para mim. De qualquer maneira, eu passei mais tempo pensando no que eu não gostei do livro do que no que eu gostei, tentando entender onde foi que a história me perdeu.

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Empire Ascendant, uma fantasia tão dark que parece horror

Empire_Ascendant_Kameron_HurleyEmpire Ascendant, da autora Kameron Hurley, é o segundo livro da trilogia Worldbreaker, que começou com Mirror Empire e também o ponto em que as coisas começam a ficar sangrentas. Se no primeiro livro fomos apresentados aos personagens, grupos e civilizações envolvidas nisso que é uma imensa guerra interdimensional, nesse livro temos um vislumbre de como tudo vai ficar pior antes de melhorar. Se melhorar. Deve melhorar, certo?

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Bolinho de banana com merengue suíço & estudo de estrutura de enredo

Eu não comentei na primeira postagem, mas além de ler e fazer confeitos eu também escrevo. Não costumo comentar isso porque não posso provar já que nunca publiquei nada e tenho poucas coisas na internet. A questão é que a minha autocrítica é grande e poderosa, e eu tenho a tendência de me frustrar, amassar a folha e começar de novo, sempre tentando melhorar, nunca achando que está bom o bastante. Então eu volto ao treinamento básico, coisas como como criação de mundo ou de personagem, motivação, métodos de outline e estrutura de enredo.

Se parece um reflexo de ansiedade é porque é isso mesmo. E sabe como eu lido com ansiedade? Fazendo doces. Uma coisa que requer um passo a passo concentrado e que no final fica linda, gostosa e deixa pessoas felizes. Doces são a melhor coisa.

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Lá vou eu outra vez

Esse é o meu terceiro ou quarto blog, mas o primeiro em que eu tenho algum objetivo concreto além de “dividir meus pensamentos com o mundo”. Ter um objetivo e alguma experiência tornou a escolha muito mais fácil, mas, ainda assim, deu um friozinho na barriga que me deu na hora de clicar em “Publicar”.

Dessa vez, a minha intenção é dividir com o mundo as duas coisas que mais gosto* na vida: livros e doces de confeitaria. Isso porque eu tenho um hábito bem especial de fazer bolos, biscoitos e doces para acompanhar as minhas leituras. Se o livro é bom, eu me enfio na cozinha porque quero adiar chegar ao final. Se o livro é ruim, eu faço uma pausa e dou um jeito de adoçar a leitura. Minha família sempre aprovou a mistura.

A ideia é fazer duas postagens por semana, uma com a resenha de um livro e outra com a receita que acompanhou a leitura. Mas é claro que, sendo um blog relativamente pessoal, eu retenho o direito de postar coisas fora desses tópicos.

E aí, vai me acompanhar nessa brincadeira? Eu prometo que, entre os livros e os confeitos, de alguma coisa você vai gostar.

* Okay, eu poderia incluir gatos nessa lista, mas não é como se resenha de gatos fosse uma coisa fazível (e a internet já tem pessoas o bastante a suprindo de gatos).